Ainda não falei sobre a UFRJ aqui -- e nem poderia, já que posto com a mesma freqüência com que Halley passa pela Terra.
Faculdade é um negócio estranho. Surreal, eu diria. Hoje, por exemplo, eu perdi quase metade da aula de cálculo entretida com uma simulação de ação dos bombeiros, com direito a carro do corpo de bombeiros, ambulância e trilha sonora de Missão Impossível ao fundo, hahaha.
Apresentações aleatórias à parte, é surreal também a diferença entre prédios vizinhos quando estes são de diferentes áreas; a rua que separa o Centro de Tecnologia da Faculdade de Letras, por exemplo, é a fronteira entre dois mundos completamente distintos, como costumo dizer; enquanto um lado vive a situação de uma França pré-revolucionária, com direito a voto qualitário de verdade (hahaha), com alunos sempre envolvidos em questões políticas, passeatas, protestos e outras "n" formas de se militar, o outro só se preocupa mais com política quando é época de eleições para DAs e CAs (não que os futuros engenheiros, matemáticos, físicos e químicos da UFRJ sejam politicamente alienados, mas nós normalmente estamos mais envolvidos com coisas tipo cálculo, física...); isso sem contar o modo de cada esfera se vestir, se portar, os hábitos... e por aí vai.
É claro, no entanto, que essas diferenças não formam cápsulas hermeticamente fechadas ao redor de cada prédio, e não é nada incomum a amizade entre alunos de áreas completamente distintas.
Aliás, de falta de amizade não posso me queixar no mundo mágico do Fundão. Ok que de popular eu não tenho nada, e não conheço a maior parte das pessoas que
todo mundo conhece, mas o pequeno grupo de amigos que estou fazendo por lá é mais que suficiente pra alegrar meus dias recheados de derivadas de ordem superior, vetores, carbonos e soluções-tampão. É a mania de cantarolar da Flores, são as
dorgas do Arthur, são os ataques de abraço do Diego, são as agressões físicas e morais do Gustavo, é a divisão das práticas de analexp com o Vitor, são as piadinhas internas com a Rayssa, o Danilo, o Bruno, o Renan e quem mais estudou comigo no Colégio Militar, é a saudade da Flávia, a filhadamãe que foi pra Harvard, são as "aulas" de comunismo do Gabriel, é isso que colore meus dias de universitária.
Para concluir o post, umas imagens ilustrativas:

Centro de Tecnologia: é aqui que passo 99,9% do tempo na faculdade; de vez em quando dou uma passadinha no CCMN pra assistir aulas de cálculo (lê-se: ficar desenhando após uma breve tentativa de entender o que diabos o professor está escrevendo no quadro), ou na Letras pra ver umas pessoas.

Pseudo-panorâmica da Ilha do Fundão vista do sétimo andar do bloco A do CT

Solução de cobalto! Foto tirada especialmente pra Flávia <3 que nem ama tudo que é rosa...